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Paralisia facial: o que você precisa saber?

Paralisia facial: o que você precisa saber?

Dra. Adriana Bonfioli assinatura

A paralisia facial resulta de uma lesão temporária ou definitiva do nervo facial, que leva os impulsos elétricos para os músculos da face. Sem essa estimulação, as contrações musculares não ocorrem e a mímica facial fica paralisada.

A perda de movimentos pode ocorrer em toda a face, em uma metade ou apenas na parte inferior de um dos lados. Isso depende da localização da lesão no trajeto do nervo facial.

O nervo facial

Nós possuímos dois nervos faciais, um direito e um esquerdo. Eles se iniciam no cérebro e chegam à face por um canal na frente de cada orelha. Ali, eles se ramificam para inervar os músculos da face, a língua, glândulas salivares e lacrimais.

Figura representando os músculos faciais

As funções principais do nervo facial são:

  • fechamento dos olhos (piscar);
  • sorriso;
  • elevação das sobrancelhas;
  • produção de lágrima e saliva;
  • sensação de gosto nos dois terços anteriores da língua.

Causas de paralisia facial

A causa mais frequente é a paralisia de Bell, porém existem muitas outras:

  • infecções virais (síndrome de Ramsay Hunt);
  • cirurgia para remoção de neurinoma do acústico;
  • cirurgia da glândula parótida;
  • infecções bacterianas (doença de Lyme, otite média);
  • neurofibromatose;
  • síndrome de Guillain-Barré;
  • trauma craniano;
  • más-formações;
  • acidente vascular cerebral.

Paralisia de Bell

A paralisia de Bell pode ocorrer em homens e mulheres de qualquer idade. Ela é mais frequente em gestantes, pessoas com diabetes, hipertensão arterial, durante infecções agudas das vias aéreas superiores (ex: resfriado) ou quadros de herpes facial.

Sua causa é desconhecida, mas acredita-se ser uma reação auto-imune contra o nervo facial.

O quadro se inicia subitamente e a paralisia piora nas primeiras 48 horas. Na maioria das pessoas, ocorre recuperação dos movimentos após alguns meses.

Sinais e sintomas de paralisia facial

A paralisia facial não é apenas uma questão estética. Ela pode levar a uma série de outros problemas associados. Os sinais e sintomas variam de uma pessoa para a outra, de acordo com a causa e a localização da lesão no trajeto do nervo facial.

O mais comum é que a paralisia afete apenas um lado da face, de forma completa (sobrancelha, pálpebra, bochecha e lábios) ou só a porção inferior (bochecha e lábios). A mímica facial é perdia e a parte afetada fica lisa e sem movimentos.

O paciente:

  • não consegue franzir a testa;
  • não fecha o olho totalmente (lagoftalmo);
  • apresenta lacrimejamento, sensação de areia no olho, sensibilidade à luz (fotofobia), dor e vermelhidão;
  • a pálpebra inferior se desloca inferiormente, dando a aparência que o olho está maior.

Mulher com paralisia facial. Um olho fechado e o outro aberto

Na região da boca:

  • o canto do lábio fica caído e a boca não se movimenta para o lado afetado;
  • não é possível sorrir, assoviar ou soprar;
  • é difícil beber e comer, escovar os dentes, cuspir e saliva pode escapar pelo canto da boca;
  • a fala pode ser prejudicada;
  • diminuição da produção de saliva e boca seca.

No ouvido:

  • os sons podem parecer mais altos do lado afetado, se o músculo estapédio for acometido.

Com o passar do tempo, podem surgir espasmos nos músculos acometidos. Mais tardiamente, uma reinervação anômala pode ocorrer, fazendo com que partes da face se movimentem quando não deveriam. Um exemplo disso é quando o paciente tenta sorrir e o olho se fecha ao mesmo tempo.

Diagnóstico

Nos quadros de paralisia facial, a investigação diagnóstica tem o objetivo de determinar a causa. Podem ser realizados exames laboratoriais, eletromiografia, tomografia computadorizada e/ou ressonância magnética.

E, por fim: tratamento

Se uma causa específica é diagnosticada, o tratamento desta é iniciado. Na paralisia de Bell, são utilizados corticosteroides orais e, em alguns casos, antivirais.

Além disso, cuidados devem ser tomados para evitar complicações, especialmente no olho afetado:

lubrificar constantemente o olho, usando lágrimas artificiais;
fazer oclusão do olho à noite, para que não fique exposto durante o sono.

A fisioterapia deve ser iniciada imediatamente para estimular a recuperação funcional dos músculos da face.

Cirurgia para o lagoftalmo

Nos casos em que a paralisia é definitiva, uma cirurgia reconstrutiva pode ser feita com o objetivo de proteger o olho da exposição e melhorar a estética da face. Existem várias técnicas, indicadas de acordo com a necessidade:

  • elevação da pálpebra inferior e fixação no canto lateral, melhorando a sua sustentação e diminuindo a abertura do olho;
  • tarsorrafia (sutura lateral que reduz o tamanho da fenda palpebral e a exposição);
  • implante de peso de ouro na pálpebra superior para melhorar o fechamento ocular.
Pesos de ouro usado no tratamento da paralisia facial
Peso de ouro: existem vários tamanhos diferentes, que são testados antes da cirurgia.

Toxina botulínica e paralisia facial

O uso da toxina botulínica na paralisia facial tem o objetivo de melhorar a simetria da face. Os músculos do lado oposto ao paralisado são injetados de forma estratégica para equilibrar os movimentos da face.

Os efeitos da toxina botulínica duram cerca de seis meses, quando se pode repetir a aplicação.