fbpx
Síndrome do olho seco

Síndrome do olho seco

Dra. Adriana Bonfioli assinatura

Olhos vermelhos, irritados, ardor e sensação de corpo estranho são algumas das queixas mais comuns de quem tem os olhos secos. Mas você sabia que o ressecamento ocular nem sempre é causado pela falta de lágrimas? Muitas vezes, o problema resulta de fatores ambientais como ar condicionado e uso constante do computador.

A verdade é que a síndrome do olho seco acomete milhões de pessoas, de todas as idades. Mesmo que, na maior parte das pessoas, não seja grave, pode causar um intenso desconforto e comprometer a qualidade de vida.

Hoje vamos conversar sobre as principais causas de olho seco e aprender a lidar com esse problema. Vamos lá?

Sinais e sintomas de olho seco

Os sintomas de síndrome do olho seco podem variar desde uma leve irritação até quadros de dor e embaçamento visual constante.

As principais queixas dos pacientes são:

  • olho vermelho;
  • ardor;
  • sensação de areia nos olhos;
  • secreção mucosa;
  • visão embaçada;
  • lacrimejamento.

Os sintomas pioram em ambientes com baixa umidade do ar (ar condicionado ou aquecimento) e após o uso prolongado de computador e outras telas.

O lacrimejamento é um sinal frequente de olho seco, o que às vezes causa surpresa nas pessoas. Ele ocorre como uma resposta reflexa à irritação e inflamação ocular.

Porém, a lágrima produzida nessa situação é bastante aquosa e não tem a qualidade necessária para resolver o problema. Por isso, mesmo quando as queixas são ardor seguido de lágrimas escorrendo, o tratamento indicado é o uso de lubrificantes artificiais.

Causas de olho seco

  • Blefarite (altera a qualidade da lágrima e resulta em maior evaporação desta);
  • exposição ocular (situações em que as pálpebras não piscam de forma normal ou não cobrem totalmente o olho, expondo a superfície ao ambiente e aumentando a taxa de evaporação da lágrima);
  • lentes de contato;
  • conjuntivite alérgica;
  • cirurgia refrativa;
  • medicamentos (anti-histamínicos, betabloqueadores, diuréticos e antidepressivos);
  • deficiência de vitamina A;
  • deficiência na produção de lágrimas;
  • síndrome de Sjögren.

A síndrome de Sjögren é uma doença autoimune em que as glândulas salivares e lacrimais são comprometidas. Ela está geralmente associada a outras condições como artrite reumatoide e lúpus eritematoso sistêmico.

Diagnóstico da síndrome do olho seco

Geralmente, o quadro clínico da síndrome do olho seco é suficiente para o diagnóstico e para o início do tratamento. A melhora dos sintomas, então, confirma a doença.

Porém, se necessário, existem vários testes disponíveis para avaliação da lágrima e mesmo para quantificar a deficiência O mais utilizados são:

  • Break up time (BUT): teste que utiliza uma gota de fluoresceína para possibilitar o exame da lágrima e da superfície do olho. Após piscar uma vez, o paciente permanece com os olhos abertos até que apareçam “pontos secos” na córnea. O intervalo entre a última piscada e o primeiro ponto seco indica a qualidade da lágrima. Nos pacientes com olho seco, esse intervalo é reduzido.
  • Teste de Schirmer: utiliza pequenas tiras de papel filtro, posicionadas nas pálpebras, para medir a produção de lágrima em 5 minutos. Um teste anormal indica que a quantidade de lágrima produzida está diminuída.
  • Rosa bengala: outro corante utilizado para avaliar a superfície ocular, pois tem afinidade por células mortas. No olho seco, tipicamente o teste destaca várias áreas comprometidas.

Tratamento

O tratamento universal para o olho seco consiste no uso de lágrimas artificiais. Existem diversas opções disponíveis, indicadas de acordo com o tipo e a gravidade de cada caso.

Além disso, podem ser necessários anti-inflamatórios tópicos e, mais raramente, procedimentos cirúrgicos.

Outras medidas que contribuem para a melhora do olho seco são:

  • tratamento da blefarite, se houver;
  • aumento do consumo de alimentos ricos em Ômega 3;
  • manter-se hidratado;
  • limpeza e uso correto das lentes de contato;
  • redução do tempo de tela contínuo, com intervalos pelo menos a cada 2 horas de uso;
  • melhorar a umidade do ar, quando possível;
  • revisão dos medicamentos utilizados e possível substituição.