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Como funciona o tratamento do glaucoma?

Como funciona o tratamento do glaucoma?

O tratamento do glaucoma, geralmente, inicia-se com o uso de um medicamento e, se não houver redução suficiente da pressão ocular, associa-se duas ou mais drogas. Existem colírios contendo múltiplas medicações no mesmo frasco, para facilitar a adesão ao tratamento e melhorar o conforto do paciente.

O objetivo da terapia é atingir a pressão alvo, definida pelo especialista como a pressão em que a progressão da doença tem menor chance de ocorrer. Geralmente, busca-se uma redução de pelo menos 30% da medida inicial. Em casos mais avançados, quanto menor o valor final da pressão ocular, maior a segurança para o paciente.

Tipos de medicamentos para tratar o glaucoma

As medicações antiglaucomatosas agem de duas formas: reduzem a produção do humor aquoso, ou aumentam a sua drenagem.

As principais classes de medicamentos são:

Beta bloqueadores

Esses medicamentos reduzem a produção do humor aquoso pelo corpo ciliar. São frequentemente utilizados no tratamento do glaucoma, mas podem ter alguns efeitos colaterais como broncoespasmo, diminuição da frequência cardíaca e da pressão arterial, insônia, fadiga, tontura e depressão.

Atenção: os colírios de beta-bloqueadores devem ser evitados em pacientes com asma.

Agonistas alfa-adrenérgicos

Agem reduzindo a produção de humor aquoso e aumentando levemente a drenagem. Podem causar alergia ocular, fadiga e boca seca.

Não devem ser utilizados em crianças menores de 2 anos de idade e em pacientes que usam o antidepressivos IMAO: tranilcipromina (Parnate®), moclobemida (Aurorix®) e selegilina, (mais utilizada para tratamento da doença de Parkinson).

Mióticos

Os mióticos são utilizados para o tratamento do glaucoma de ângulo fechado. Eles estimulam o músculo da íris que fecha a pupila, desobstruindo o ângulo da câmara anterior e aumentando a drenagem do humor aquoso.

Têm poucos efeitos adversos, mas podem piorar a visão em pacientes com catarata.

Prostaglandinas

As prostaglandinas agem aumentando a drenagem de humor aquoso. Por serem aplicadas apenas uma vez ao dia e terem poucos efeitos colaterais sistêmicos, elas são um dos medicamentos mais prescritos atualmente para tratar o glaucoma.

Alguns efeitos adversos locais podem ocorrer e incomodar o paciente:

  • olho vermelho;
  • dor de cabeça;
  • aumento da quantidade, espessura e do comprimento dos cílios;
  • pigmentação da íris e das pálpebras.

IMPORTANTE: os colírios de prostaglandinas devem ser suspensos antes de uma cirurgia de catarata, pois podem aumentar as chances de edema (inchaço) da mácula no pós-operatório.

Inibidores de anidrase carbônica

Reduzem a produção de humor aquoso. Podem ser usados como colírios ou por via oral.

O principal efeito colateral desse colírio é a alergia ocular, que ocorre principalmente em pacientes alérgicos às sulfas.

Os inibidores da anidrase carbônica, utilizados por via oral, provocam maior número de efeitos colaterais. Por esse motivo, são prescritos por curtos períodos de tempo.

Hiperosmóticos

Esses medicamentos reduzem rapidamente a pressão ao atrair o fluido ocular para dentro dos vasos sanguíneos, acelerando a drenagem. Podem ser utilizados por via oral ou endovenosa.

Sua utilização principal é em casos de glaucoma agudo resistente ou em cirurgias oculares.

Classe Medicamentos Forma de uso Efeitos colaterais
Beta bloqueadores Timolol
Betaxolol
1 a 2 vezes ao dia Ardor, irritação, reação alérgica. Dificuldade respiratória em portadores de asma. Redução da frequência cardíaca e da pressão arterial.
Alfa adrenérgicos Brimonidina 2 a 3 vezes ao dia Ardor, irritação, visão embaçada, boca seca, fadiga.
Mióticos Pilocarpina 3 a 4 vezes ao dia Visão embaçada, especialmente à noite.
Prostaglandinas Bimatoprosta
Latanoprosta
Travoprosta
1 vez ao dia Ardor, olhos vermelhos, crescimento dos cílios, alteração da cor dos olhos, olheiras.
Inibidores de anidrase carbônica Oral: acetazolamida

Tópicos: brinzolamida, dorzolamida

2 a 3 vezes ao dia Oral: tontura, diarréia, gosto metálico, perda de apetite, fadiga, formigamento nas mãos e nos pés, perda de potássio.
Tópico: ardor, irritação, reação alérgica.

Qual a forma correta de pingar um colírio?

Virar a cabeça para trás e segurar as pálpebras abertas.

Pingar uma gota do colírio e fechar os olhos, sem apertar, para que esta não seja empurrada para o sistema de drenagem da lágrima.

Para reduzir a quantidade de medicação absorvida para o sangue, aperte o canto interno dos olhos por dois minutos. Isso diminui a quantidade de colírio que chega até a mucosa do nariz e aumenta a ação do medicamento no olho.