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Uveíte intermediária

Uveíte intermediária

A uveíte intermediária é uma inflamação intra-ocular crônica, recidivante, de início insidioso, que afeta predominantemente o vítreo e a parte periférica da retina. Compromete crianças e adultos entre 15-40 anos, e responde por cerca de 20 % do total de todas as uveítes pediátricas.

Quadro clínico

A doença é rara e, na maioria dos casos (70%), não apresenta uma causa aparente ou associação com doença sistêmica. Quando isso acontece, e ao exame observamos a presença de duas alterações conhecidas como snowballs e snowbank, a uveíte intermediária recebe o nome de Pars planite.

No restante dos casos, a uveíte intermediária pode se associar a causas infecciosas tais como: Tuberculose, Sífilis, Lepra, Doença de Lyme, Toxocaríase e causas não infecciosas, como Sarcoidose, Síndrome de Blau, Esclerose múltipla, Doença inflamatória intestinal, Sjogren, Síndrome TINU (Nefrite túbulo intersticial e uveíte), e Linfoma. Ambos os sexos são afetados com igual frequência.

Sintomas

O quadro de uveíte intermediária é, geralmente, bilateral, mas pode ser assimétrico e começa de maneira insidiosa com piora visual, moscas volantes, metamorfopsias (distorção das imagens) e fotofobia (maior sensibilidade a luz).

Os olhos são calmos ou discretamente vermelhos, com presença de inflamação leve na parte da frente. Podem estar presentes catarata e glaucoma. A vitreíte é observada pelo oftalmologista em 100% dos casos e é a causa das “moscas volantes”.

Outros sinais são: snowballs, snowbank, inflamação dos vasos da retina e o edema macular, que é o grande responsável pela piora da visão.

Diagnóstico da uveíte intermediária

O diagnóstico é essencialmente clínico por meio do exame oftalmológico e de uma boa anamnese. Exames de Ecografia ocular, OCT, Retinografia simples e fluorescente, e Biomicroscopia ultrassônica, frequentemente são necessários para auxiliar no diagnóstico. Casos de difícil diagnóstico ou suspeita de Linfoma podem exigir biópsia vítrea.

Em todos os casos, solicitamos avaliação laboratorial extensa (exames de sangue, urina), PPD, Rx e Tc de tórax, assim como RNM de encéfalo, para afastarmos a possibilidade de doença sistêmica.

Tratamento da uveíte intermediária

O critério para definir o tratamento das uveítes intermediárias é a visão do paciente e a maioria dos trabalhos definem que o tratamento deve ser iniciado se a visão for pior ou igual a 20/40.

A principal medicação utilizada para o tratamento é a corticoterapia, seja ela na forma de injeção peri-ocular, intra-ocular ou uso oral por tempo prolongado. O uso de colírios a base de corticosteróides e dilatadores de pupila frequentemente são necessários.

O que define a forma como o corticosteróide vai ser utilizado é a gravidade da doença, e se ela é uni ou bilateral. Em casos de menor gravidade e unilaterais, prefere-se o tratamento local com injeção periocular de corticosteroide no olho comprometido.

Nos casos graves, bilaterais e associados a doenças sistêmicas não infecciosas, o corticosteróide oral é fundamental para controlar a doença.

Um grande número de pacientes pode precisar de medicamentos imunossupressores por tempo prolongado, principalmente em caso de uveítes crônicas e persistentes, falha terapêutica com o uso dos corticosteróide e efeitos colaterais pelo uso dos mesmos.

Complicações como edema macular crônico, catarata, glaucoma e descolamento de retina costumam ocorrer e podem ser necessários procedimentos cirúrgicos para tratar tais complicações.

O prognóstico da doença é variável. Muitos casos apresentam quadros prolongados e vários períodos de exacerbação. Crianças têm pior prognóstico se comparadas com adultos e mais chance de complicar.

Diante de tudo isso, é essencial a rápida identificação da doença para podermos iniciar o tratamento o mais rapidamente possível e controlar a inflamação.