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Exame de vista em bebês e crianças: como são feitos?

Exame de vista em bebês e crianças: como são feitos?

Dra. Carolina Paes assinatura

Muitos pais não sabem o quanto é importante fazer o exame de vista em seus pequenos enquanto eles ainda são bebês. Além disso, eles ainda sentem receio de que esse exame não seja fácil de ser realizado e, por isso, costumam desistir de pedi-lo.

O que eles precisam saber é que a visão se desenvolve nos primeiros anos de vida e, assim como falar e andar, enxergar também é um sentido que deve ser estimulado e aprendido.

A maturidade do sistema visual se completa no final da primeira década de vida, e os 5 primeiros anos são considerados os mais dramáticos. Afinal, qualquer alteração nos olhos na primeira infância pode trazer consequências severas com sequelas que duram o resto da vida.

É por isso que o exame de vista na criança, ainda em fase pré-verbal, é importantíssimo. Pensando nisso, vamos te mostrar nesse post o quão possível é realizá-lo! Independentemente da criança saber informar, ou não, quais são as letrinhas da tabela que ela deve ler. Vamos lá?

O primeiro exame de vista

O primeiro exame oftalmológico de uma pessoa deve acontecer ainda na maternidade.

O chamado teste do olhinho, ou teste do reflexo vermelho, é obrigatório em alguns estados e faz parte da rotina do recém-nascido logo nos primeiros dias de vida.

Não é um exame oftalmológico completo e trata-se de uma triagem para doenças oculares graves, como catarata congênita, glaucoma congênita grave ou retinoblastoma.

Este teste pode ser realizado por pediatras, sendo feito com um instrumento oftalmológico chamado oftalmoscópio. Esse aparelho, por sua vez, emite uma luz que reflete nos olhos do bebê. O reflexo normal deverá ser vermelho brilhante, significando que não há nenhum impedimento para a formação da imagem na retina do bebê.

Em caso de exame duvidoso ou reflexo anormal, o pediatra deverá encaminhar a criança ao oftalmologista o quanto antes para realização de exames mais precisos.

Mães que tiveram suspeita de doenças infecciosas na gravidez devem ter seus bebês encaminhados para um exame de fundo de olho com o oftalmologista.

Importante: Toxoplasmose e Zika são exemplos de doenças que podem causar problemas visuais no recém-nascido, caso tenham sido contraídas na gestação.

E depois?

Depois é sugerido uma visita ao oftalmologista a cada 6 meses, até que a criança complete 2 anos. A seguir, as consultas devem ser anuais, ou ainda semestrais. Tudo depende da decisão do médico, que pode notar alguma doença que requeira um tratamento prolongado.

Como o exame de rotina é feito?

A primeira etapa de todo exame, seja no adulto ou na criança, é uma boa conversa. Aqui, o médico tentará descobrir se o pequeno apresenta fatores de risco para o desenvolvimento de problemas visuais. São alguns exemplos: pais com doenças oculares, prematuridade, estrabismo e infecção na gestação.

Depois, o oftalmologista deve contar com alguns itens que o ajudem no exame, como brinquedos, lanternas, tabelas próprias com desenhos, além de equipamentos apropriados como o retinoscópio.

Teste de acuidade visual

O teste da visão, chamado de acuidade visual, varia entre cada faixa etária. Em crianças de até 3 anos, testa-se a visão com objetos e observa-se a fixação do pequeno nestes. O paciente deverá fixá-los e segui-los com os 2 olhos.

Existem, também, métodos especiais como o teste de Teller e o potencial visual evocado, que fornecem dados mais precisos da visão da criança. Estes não são necessários em todos os casos, mas em pacientes com catarata congênita, por exemplo, são essenciais.

Porém, vale ressaltar que a não realização destes métodos não inviabiliza o exame. Um bom teste cobrindo os olhos da criança e observando sua fixação normalmente é o suficiente. Quando a criança informar a visão, podem ser usadas tabelas especiais com desenhos, bichinhos ou o E da tabela de Snellen, ensinando o paciente a apontar a direção da ponta da letra.

Motilidade ocular

O exame de motilidade ocular, usado para descartar estrabismo, deve ser realizado em todos os pacientes. Afinal, existem alguns casos de desvio ocular que, apesar de não serem nítidos a olho nu, são causas de baixa visão se não tratados precocemente. É um teste simples, que usa um oclusor ocular e um objeto (de preferência luminoso).

Refração

A refração na criança deve sempre ser realizada pingando gotas de colírio cicloplégico nos olhos. Muitos pais sentem pena, devido ao desconforto causado pelo colírio. No entanto, é um ardor passageiro e tolerável, e o exame com pupilas dilatadas é essencial.

Para definir se a criança tem ou não grau de óculos, usa-se um aparelho chamado retinoscópio, que emite um reflexo luminoso na pupila dilatada. Por meio desse reflexo, o oftalmologista consegue prever o grau do paciente.

Mesmo em crianças maiores, o famoso “melhora e piora” não é totalmente confiável. Então, a prescrição de óculos deve ser mais baseada nestes exames, do que na informação do infante.

Avaliação das pálpebras e anexos oculares

A avaliação das pálpebras e dos anexos oculares pode ser feita por meio de lâmpada de fendas portáteis, ou então no aparelho usado nos adultos. Com cuidado e com o auxílio dos pais, é possível posicionar o bebê e a criança e realizar o exame.

Exame de fundo de olho

O exame de fundo de olho também pode e deve ser realizado. Muitas vezes a criança deverá ser segurada. Por isso, neste momento, os pais deverão manter a calma e ajudar o médico. Em bebês e crianças cooperativas basta apenas uma conversa, ou um jeitinho mais cuidadoso.

Em pacientes especiais, muito agitados e nada colaborativos, quando há suspeita de uma doença ocular, deverá ser indicado o exame oftalmológico sob sedação.

Enfim…

Não se assustem se sua criança chorar ou se agitar durante o exame. Isto é normal! Um profissional habilitado e paciente consegue contornar essa situação na maioria das vezes, evitando traumas e transformando a ida ao oftalmologista num momento importante da infância!

 

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